Publicada em 26/10/2026

Condições climáticas favoráveis no Brasil e colheita americana também pesam sobre os futuros.
Os preços futuros da soja ampliaram as perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) durante a manhã desta segunda-feira (26). Após começarem o dia com quedas superiores a 1%, os principais vencimentos passaram a registrar desvalorizações próximas de 2%, em um mercado que acompanha os reflexos da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o câmbio brasileiro, além das condições favoráveis ao desenvolvimento da safra no Brasil e ao avanço da colheita nos Estados Unidos.
Por volta das 11h59 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 12,3250 por bushel, com queda de 24 cents, equivalente a 1,91%. O janeiro/27 recuava 24,75 cents, para US$ 12,4375, enquanto o março/27 perdia 23,25 cents, cotado a US$ 12,5275. O maio/27 apresentava baixa de 22,25 cents, para US$ 12,6175, e o julho/27 caía 21,50 cents, negociado a US$ 12,6775 por bushel.
A intensidade do movimento aumentou ao longo da manhã. Às 7h23, o novembro/26 recuava 14,75 cents, negociado a US$ 12,4175. Com o aprofundamento das perdas, o contrato passou a acumular desvalorização de 24 cents em relação ao fechamento de sexta-feira (23), quando havia encerrado a US$ 12,5650 por bushel.
Câmbio brasileiro ganha protagonismo após eleições
A repercussão do resultado das eleições presidenciais brasileiras tornou-se um dos principais fatores acompanhados pelo mercado internacional nesta segunda-feira. Análises da Pro Farmer, Bloomberg e Agriculture.com destacaram que as expectativas de enfraquecimento do real diante do dólar podem aumentar a competitividade da soja brasileira no comércio internacional, pressionando os contratos negociados em Chicago.
A relação ocorre porque uma moeda brasileira mais desvalorizada tende a favorecer as receitas dos exportadores em reais e pode permitir maior competitividade nas ofertas internacionais. O efeito efetivo sobre os preços recebidos pelos produtores, entretanto, também depende dos prêmios de exportação, dos custos logísticos e das condições de negociação.
Em entrevista ao Bom Dia Agro, do Notícias Agrícolas, Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, destacou que a combinação entre perspectivas climáticas mais favoráveis no Brasil e enfraquecimento do real ajuda a explicar a pressão sobre Chicago. Segundo ele, uma valorização consistente do dólar também pode estimular a comercialização de soja pelos produtores brasileiros ao longo da semana, após um período de negócios mais lentos.
O analista chamou atenção ainda para a volatilidade esperada nos próximos dias e para a necessidade de acompanhar a relação entre o câmbio e os custos de produção e transporte, especialmente diante dos riscos de aumento do diesel e dos fretes durante a próxima colheita.
Oferta americana e safra brasileira seguem no radar
Além do câmbio, o mercado continua acompanhando a oferta norte-americana. No último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita da soja havia alcançado 64% da área cultivada até 18 de outubro, próximo da média de cinco anos, de 65%. Uma nova atualização do andamento dos trabalhos será divulgada nesta segunda-feira, ao final da tarde.
A demanda chinesa também permanece entre os fatores monitorados. Na semana encerrada em 15 de outubro, as vendas líquidas de soja norte-americana alcançaram aproximadamente 2,84 milhões de toneladas, das quais cerca de 2,18 milhões tiveram a China como destino. Apesar da melhora das compras, as expectativas sobre a competitividade brasileira e a entrada da safra dos Estados Unidos continuam influenciando o comportamento das cotações.
No Brasil, as condições climáticas mais favoráveis em áreas produtoras e o avanço da semeadura da safra 2026/27 também são acompanhados pelos operadores. A regularidade das chuvas durante novembro será importante para o estabelecimento das lavouras, enquanto o ritmo de plantio poderá influenciar a janela de implantação da segunda safra de milho no próximo ano.
Assim, a soja amplia as perdas no primeiro pregão da semana, com o câmbio brasileiro ganhando peso nas avaliações internacionais. Para os produtores, a atenção se volta à capacidade de uma eventual valorização do dólar compensar a queda em Chicago e criar oportunidades de comercialização no mercado doméstico.
Fonte: Notícias Agrícolas
© 2020 Faccini Defensivos Fertilizantes Cereais e Óleo Diesel TRR